segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Sonho da Estrada

Mateus Figueiredo
Respirou fundo e gritou.
- SOCOOOOOOORROOOOOOO!
- PARA! PARA! PARA! Para com isso agora!
- Para com isso você! Você mente para mim, me engana, me rouba e agora me sequestra, e não quer que eu reclame? Qual é o seu problema, seu imbecil? O que você tem na cabeça? Eu achei que podia confiar em você! Idiota! - Ela dá um soco no ombro de Sami.
- Você quer só parar de dar chilique por um segundo? Olha à sua volta, sua escandalosa. Olha em volta, e me diz o que isso te lembra.
Ela vira a cabeça, e observa o ambiente. Vê as mesas, as cadeiras, o balcão, o papel de parede alaranjado, um pouco velho e rasgando em algumas partes. Ela olha a grande janela na frente do salão, e reconhece o lugar finalmente. Corre até a janela, e olha para fora, para a estrada de terra. Vê as árvores na beira do caminho, a montanha à direita e a descida à esquerda, e a pequena lagoa lá em baixo. Seus sentimentos de raiva e ódio pelo garoto haviam se transformado em uma bagunça, permeada de tristeza, felicidade, confusão e saudade, quando percebe que estava no mesmo restaurante de tanto tempo atrás.
Dani se vira para ele, incrédula. Seus lábios semi abertos, sua voz sem fala. Seus olhos, meio molhados, abertos mas sem ver. Não acreditava no que estava acontecendo. Seu nariz respirava cada vez mais rápido, devido à emoção.
- É... é...
Sami coloca seu dedo sobre a boca dela, delicadamente.
- É, sim. O Sonho da Estrada.
- Mas isso é impossível.
- E mesmo assim você está aqui.

- Mas como? Eu não entendo. Achei que... achei que esse lugar estivesse perdido para sempre. Quando... quando o Doutor me raptou...
- Essa é a coisa engraçada sobre a mente e a alma humana. São duas coisas diferentes uma da outra, você entende? Essa lembrança havia sido apagada da sua mente, sim. Mas as coisas que realmente foram importantes para você te marcam de um jeito muito mais profundo. A sua própria alma pega aquele momento e imortaliza dentro de si. Você poderia esquecer de tudo; da sua família, dos seus amigos, de mim, e até de você mesma. Mas a sua alma nunca vai abandonar essas coisas, pois elas são parte de você.
Parecia que ela ia começar a chorar. Ela sempre chorava quando alguma coisa grande acontecia.
- Esse lugar está para sempre junto de você. Afinal, se não me engano, foi nesse mesmo sonho que você percebeu que me amava, não é isso?
- S... sim...
- Um sentimento forte desses não é ignorado pela alma.
Alguns instantes de silêncio.
- E, unh, bem... espero que essa epifania não tenha deixado de ser verdadeira.
- Claro que não.
E se abraçaram.

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