segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mais que uma cama macia

Um hotel é um lugar fantástico. São tantas pessoas, de tantos lestes diferentes, num único lugar. Cada pessoa tem um passado por trás de si. Cada pessoa tem um futuro único. Mas por algum motivo, a trajetória pela vida dessas pessoas se une em um ponto. Essas pessoas que trocam olhares por alguns dias no café da manhã provavelmente nunca mais se verão.
Um hotel é algo que marca, mesmo sendo apenas um detalhe. Ninguém viaja para outro país para ficar o tempo todo dentro do hotel. O quarto de hotel é onde você descansa, e se prepara para o próximo dia. Sem uma boa noite de sono, o dia, por mais incrível que seja, apenas passa.
Cada hotel tem um toque diferente. Chique, grande, tranquilo, desleixado, apertado. Para uma criança, o hotel é uma aventura. Cada corredor desconhecido, cada andar diferente. Cada escadaria é uma aventura.
Em cada viagem que você faça na vida, e impossível não se lembrar de pelo menos uma coisa que aconteceu dentro do hotel. Eu já fiquei em um hotel que tinha vista para o mar e golfinhos nas paredes. Já fiquei em um hotel que tinha uma piscina do lado de uma varanda gelada e um terraço com vista da cidade. Já fiquei num hotel pequeno que não era muito mais que uma dúzia de chalés, e já fiquei num hotel gigantesco o restaurante ficava na praia.
Eu sou um apaixonado por hotéis. Quanto mais eu viajar, em mais hotéis eu vou ficar. E não quero me esquecer de nenhum deles.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Terça-feira Tediosa

Trovoava. Tiago, 13, tossiu. Tinha tarefa: TRÊS trabalhos. Temas? Trombas-d'água, tupis-guaranis, tétano. Tinha tédio. Titubeou: trabalhar? Tsc, tsc. Telefonar trotes. Trouxe telefone, teclou: três três treze trezentos três. Tocou, tocou, tocou...
Túlio, 30, tomava terebintina, tranquilo. Telefone tocou. Teimoso, tateou. Tocou tafetá, tapete, tábua, tarântula... Tarântula!? Temia tal troço tenebroso. Transtornado, tacou tênis. Tirou. Tarântula torcida, transfixada, trêmula. Tragédia? Talvez.
Tiago tentou trocar. Três trinta três, treze trinta. Tocou, tocou, tocou...
Tamires, "teen", tocava trombone. Tinha talento! Trajava tomara-que-caia tingido, tanga tijolo, tiara turquesa, tamanco. Tentara tuba, teclado, tímpano: terrível. Tocava trombone! Tinha
trofeus, transmitia tonalidades transcedentais.
Tarsila, tia, trazia telefone tocando.
-"Thanks", tia. Tamires Turino, tagalere.
-Tamires? Tem tempo? - Tiago tramava.
-Tenho...
-"Tão tá". Tu tens tomate?
Tomate? Tinha, Tamires tinha tomate.
-Tenho - Tamires tolerava tolos.
-Tens também tangerina?
-Tenho, trapalhão.
- Tens trigo? Torrada? Tapioca?
- Talvez tenha.
- Tens tudo!?
-Tá, tenho.
-Tens também trote.
Tamires tinha temperamento tranquilo. Triunfou tal transgressão. Tirou
tiara, trovejou:
-Telefonema tapado.