segunda-feira, 29 de abril de 2013

Querida nostalgia


Querida nostalgia, eu não quero mais te ter.
O de ontem alegria hoje só me faz doer.
Querida nostalgia, até logo até mais ver.
Quero no meu dia-a-dia menos dor e mais prazer.
Querida nostalgia, mande um beijo pra mim mesmo.
Diga que sinto saudades e que tudo de bom desejo.

Se não fosse for mim mesmo não seria hoje quem sou. 
E por isso vale a pena tudo o que a gente passou.  
Diga a ele que havia algo que eu não podia ver.
Algo que só com o tempo fez melhor em florescer.

 Fale pro meu eu passado não ter pressa em crescer.
Mas também não vale a pena nenhum medo ele ter.
Querida nostalgia, só foi bom porque durou
O que se esqueceu num dia foi porque não agradou
Você muito me alivia ao dizer que já passou.

 Querida nostalgia, o seu tempo acabou.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Ovo


Escrito por Andy Weir
Traduzido por Carlos Buosi, com pequenas adaptações minhas

Você estava a caminho de casa quando morreu.
Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os paramédicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.
E foi aí que você me conheceu.
"O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"
"Você morreu," eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.
"Havia um caminhão... e ele derrapou.."
"Isso mesmo," eu disse.
"Eu... Eu morri?"
"É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.
Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"
"Mais ou menos," eu disse.
"Você é Deus?" Você perguntou.
"É isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."
"Meus filhos... minha mulher," você disse.
"O que tem eles?"
"Eles ficarão bem?"
"É isso que eu gosto de ver," eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."
Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.