sexta-feira, 24 de junho de 2011

96 páginas ou 300 giga bytes

O ser humano nasce como um caderno, completamente em branco, ou como um computador, já com o sistema operacional?



Dizem que se o cérebro humano fosse simples o suficiente a ponto de ser entendido, nós seríamos burros demais para poder entendê-lo. Mas mesmo assim, a curiosidade nos impulsiona, nos leva a fazer inúmeras perguntas, mesmo que algumas não tenham resposta.


De onde vem o talento? Como surge a personalidade? Os gostos, as vontades, o QI? Einstein nasceu gênio? Qualquer um pode ganhar o Nobel, ou o Oscar? Um enxadrista pode pintar um quadro, ou um jogador de futebol pode escrever um livro?


Não dá realmente para saber o que faz com que uma pessoa seja diferente da outra. Se as pessoas forem cadernos em branco, o que faz a diferença são as suas experiências. Um caderno vazio pode se transformar em qualquer coisa: um diário, um rascunho para um livro, um caderno de Física ou de Biologia. Cada página em branco tem mil desenhos dentro dela, que só precisam de um pouco de tinta (e um olhar criativo) para se tornarem realidade. Se as pessoas forem cadernos em branco, o que determina o caminho que elas vão seguir são as coisas e pessoas ao redor dela. Uma criança não aprenderia a fazer escolhas se alguém não ensinasse isso para ela.


Todos os computadores saem da fábrica iguais. Um mesmo sistema operacional, que permite que você rode uma série de programas. Mas a partir daí, é o usuário que controla o destino da máquina. Enquanto alguns se contentam com usar o Paint, outros querem o Photoshop. Os escritores usam o Word, os matemáticos usam o Excel, os empresários usam o Power Point. É claro que você pode baixar mais programas – você não pode querer passar a vida inteira sem evoluir – mas eles dependem do sistema básico.


Eu acho que cada um nasce com o seu punhado de sementes. Cada semente é uma coisa: saber dar conselhos, ter talento para trocar algum instrumento, manjar de matemática, ter boa memória, jogar futebol, praticar artes marciais, ler, escrever, desenhar. Essas sementes, essas possibilidades, são parte de quem nós somos. O que fazemos delas é o que define quem vamos ser. Ao longo da vida, essas sementes germinam, e vão gerando cada vez mais frutos. Mas não geram frutos se não estivermos lá para regá-las, adubá-las, protegê-las das pragas.


Todos podem ser poetas. Não é difícil achar duas palavras que rimem e montar alguns versos. Todos podem ser fotógrafos. Segurar firme e apertar um botão é tão rude que chega a ser engraçado ser chamado de vocação. Mas o que faz a diferença é a beleza, é a qualidade do produto. Esforço raramente substituí talento, e o talento é inato.


Se você não pode ter o dom que ama, ame o dom que tem. Não desperdice uma bela voz por que você acha que seria mais fácil escondê-la atrás da timidez. Um dom é um presente, que deve ser protegido e incentivado, que tem que ser usado da melhor maneira possível.


Um caderno tem o limite de 96 páginas, o computador tem o limite de 300 giga bytes. Se for para escolher, prefiro ser um computador.


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