Eu não aprendi literatura

"Primeiro vocês leem as respostas. Então, se não conseguirem descobrir qual é a certa, vocês leem a pergunta. Se ainda não conseguirem descobrir a alternativa certa, leem o enunciado inteiro. E só então, se depois disso tudo, ainda não tiverem conseguido descobrir o que é para ser marcado no gabarito, só então vocês leem o poema.

E quando lerem o poema, comecem circulando as vírgulas, e descobrindo a função de cada uma - aposto, vocativo ou hipérbato. Eliminem os apostos desnecessários, coloquem os hipérbatos na ordem direta. Eliminem, então, também as frases que se repetem.

Depois, circulem os símbolos, e contem qual o símbolo mais frequente. Os três símbolos mais frequentes serão a explicação do poema. Coloque o mais frequente no meio, e os outros dois abaixo, um do lado do outro. Tente entender a relação entre os três símbolos - as três palavras que resumem todo o poema.

E enfim, quando completarmos o movimento literário, façamos um resumo dele em um esquema de cinco linhas: nem mais, nem menos. Um poema resumido em três palavras, um movimento resumido em cinco linhas. E três minutos para cada questão."

Ah, os Srs. Pritchards das nossas vidas.

E que ninguém ache que conseguir fazer esse texto seis anos depois da minha última aula de literatura quer dizer que eu aprendi literatura. A memória é só uma das dimensões da cognição. E, tão parecidas mas tão diferentes da aprendizagem significativa, as cicatrizes também não se apagam.



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