Deus, o sofrimento, e a humanidade como um Ovo

Tem gente que fala "olha só o mundo. olha que perfeição essa distância entre o Sol e a Terra. olha que maravilha de paisagem. que mundo lindo e perfeito que Deus criou pra gente" usando isso como argumento pra falar que Deus existe.

Eu acho que esse deve ser um dos piores argumentos pra defender a existência de Deus de todos.

Porque o mundo não é perfeito. Então se você acha que o mundo ser perfeito é mais um motivo pra acreditar que Deus existe, então esse motivo simplesmente não existe.

Muitas pessoas perguntam "porque Deus permite que o sofrimento existe?" Minha resposta padrão pra esse argumento (porque eu acredito que Deus existe) é que, com o sofrimento, com os problemas, com as imperfeições, a gente aprende. A gente aprende com os nossos erros. "mas porque Deus já não nos fez sabendo?" Porque quando a gente aprende por experiência própria, aprende muito mais. O conhecimento fica muito melhor guardado. E a memória da experiência é muito mais vívida do que a memória de ter lido isso em algum lugar ou ouvido alguém falar sobre isso.

Mas acho que a pergunta ainda é válida. Porque Deus permite que as pessoas sejam tão ruins umas com as outras? Porque Deus permite que catástrofes da natureza arruínem a vida de tantas pessoas? Porque tanta miséria, tanta mazela, tanta dor?

E porque as pessoas evoluíram pra ser tão ruins umas com as outras? (Porque, é claro, eu também acredito na Evolução). Porque temos tanto preconceito com o que é diferente e ganhamos tanto prazer com a violência, ao fazer e ao testemunhar? Porque evoluímos pra seguir o líder, fazer o que sempre fizemos, ao invés de nos abrir para o novo?

Mas talvez não seja nem Deus nem a Evolução. Talvez seja só a nossa cultura. Vivemos numa época de preconceitos (quanto tempo dura essa época, eu não sei. Talvez ela já dure o quê, uns 100 mil anos?). Mas a cada tantos anos o alvo desse preconceito muda. Ameríndios, irlandeses, protestantes, bruxas, ateus, mulheres, homossexuais, transexuais, feministas, comunistas, muçulmanos, cristãos, negros. Em lugares diferentes, diferentes pessoas diferentes são as perseguidas. E a gente vive - e 'prospera' - num sistema que permite essas perseguições. E quando a gente percebe quão idiota é um preconceito - porque não deixar brancos se casarem com negros?? porque não deixar negros usarem o mesmo bebedouro que os brancos?? - outro entra em evidência, que muito provavelmente sempre tenha estado ali, mas que não chamava tanta atenção - porque eles não gostavam das pessoas transexuais?? porque insistiam em usar um nome que não era o delas??

Eu vejo que o mundo não é perfeito. Tem muitos problemas - alguns criados por Deus, outros criados pela Evolução, outros criados pela nossa cultura e sociedade - mas tem muitos avanços, se comparado com o mundo em que vivíamos antes (e alguns retrocessos. como assim eles deixaram a empresa poluir um rio inteiro e ficar tanto tempo sem punição???)

Mas eu vejo que cada vez mais gente tem noção desses problemas, e noção que eles são problemas. E uma coisa que eu tenho na cabeça, desde que eu li a história dO Ovo (recomendo), é que a gente não pode melhorar a vida das pessoas que viveram antes da gente, e a gente tem um bom alcance pra ajudar as pessoas que vivem ao mesmo tempo que a gente, apesar de limitado, mas a gente tem uma possibilidade quase que infinita de ajudar todas as pessoas que vão vir depois da gente. E se somos todos da mesma espécie humana, se somos todos companheiros nessa aventura que é a vida, a mesma alma reencarnada várias e várias vezes em corpos diferentes através do tempo e do espaço, então a gente pode tentar ajudar a nós mesmos.

Acho que eu continuo com a minha resposta de porque existe sofrimento. Pra ser um desafio. Pra gente aprender. Pra gente ter que pensar e repensar sobre a nossa vida, as nossas ações, a nossa humanidade. Como se todo esse universo fosse só uma preparação, uma gestação para a próxima fase. Muita gente se preocupa, achando que o mundo vai acabar e que a humanidade vai se extinguir. Mas eu acho que a gente não vai ter essa dádiva de ir para a próxima fase enquanto não conseguir resolver os problemas dessa aqui.

Hamãy, a Protetora dos Animais

  O índio acredita e respeita muito a natureza. Por isso, os maisvelhos recomendam muito quando vamos para a mata fazer algumacaçada. Eles pedem para não ferir os animais e deixar ir embora,porque existe a protetora dos animais, que é a Hamãy.
 
Hamãy também nos proteje, mas fica muito aborrecidaquando alguém fere um dos seus animais, pois vai dar muito trabalhopara ela. Hamãy pode aparecer para as pessoas de várias maneiras,isto diziam meus avós. Ela chega até a atrair as pessoas, não acertandode volta o caminho para casa, quando abusam de sua autoridade.
 
Sua casa é a floresta, por isso, precisamos tomar muito cuidadoquando pisamos na mata para qualquer atividade.
 
Certa época, um parente foi tirar palha de Jussara paraemprensar massa de mandioca para fazer farinha. Não sei o queaconteceu, que ele ficou preso na selva e foi parar no abrigo deHamãy.
 
Lá, ele viu muitos animais feridos. Ela chamou e disse:
 
— Você está vendo estes animais feridos? o os animaisque você e seus amigos ferem quando vão caçar, por isso é que eulhe trouxe aqui, para poder ver. Agora, vá embora e nunca maisfaça isso. Saiba como entrar na mata para fazer sua caçada.
 
Arareby Pataxó

 
"Existem abusos infantis, e existem lembranças reprimidas. Mas há também lembranças falsas e inventadas, e elas não são de modo algum raras. As lembranças errôneas são a regra, e não a exceção. Acontecem todo dia. Ocorrem até em casos em que o sujeito está absolutamente confiante - mesmo quando a lembrança é aparentemente uma luminosidade inesquecível, uma dessas fotografias metafóricas mentais. Sua ocorrência é ainda mais provável nos casos em que a sugestão é uma possibilidade expressiva, em que as lembranças podem ser modeladas e remodeladas para satisfazer as fortes exigências interpessoais de uma sessão de terapia. E quando a lembrança foi reconfigurada dessa maneira, é muito, muito difícil mudar.

Esses princípios gerais não nos ajudam a determinar com certeza onde está a verdade em cada caso ou afirmação individual. Mas em média, num grande número dessas afirmações, é bem evidente no que devemos apostar. As lembranças errôneas e a reelaboração retrospectiva fazem parte da natureza humana; estão associadas ao nosso território e sempre acontecem."

Ulric Neisser, psicólogo da Universidade Emory, em O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan.


Postaram no Facebook pedindo opiniões sobre o tema O trabalho na construção da dignidade humana:
Primeiramente, o que é considerado como digno? O que é esta "dignidade" no viés social (especialmente na sociedade brasileira)
E depois, como exatamente o "trabalho", em si, atua nisso? Entre outras coisas discutíveis acerca desse tema.

Respondi isso:

Na Grécia Antiga, os que trabalhavam com as mãos era vistos como menos dignos, e os que trabalhavam com a mente eram a elite. Os filósofos gregos que conhecemos e estudamos hoje tinham todas as suas necessidades atendidas pelos escravos. O trabalho braçal era mal visto.
E isso foi a regra durante séculos. Afinal de contas, para que gastar energia e se cansar fazendo algo, se você poderia ter outra pessoa que o fizesse por você? Muito melhor passar o seu tempo fazendo outra coisa.
Mas essa mentalidade mudou com a ascensão do capitalismo. Com as ideias de Calvino e a valoração do lucro, o trabalho passou a se tornar algo mais visto. Com o trabalho se teria acumulação de riqueza, e essa acumulação era sinal da salvação. Surgiu então a ideia por trás de ditados populares como "Deus ajuda quem cedo madruga".
Apesar de até hoje "trabalhador" ser um adjetivo associado a algo positivo, a sociedade ainda preserva parte da mentalidade dos antigos gregos: o pedreiro, que trabalha com as mãos, é menos valorizado que o arquiteto, que trabalha com a mente. O mesmo vale para o jardineiro e o paisagista, o mecânico e o engenheiro mecânico.
Porém, a medida que o capitalismo se tornou cada vez mais poderoso, e o consumismo, o excesso e a cidade se tornarem regra em vez de exceção, veio surgindo também uma vontade de retomada das origens. Por esse motivo vem surgindo movimentos como a agroecologia, os produtos orgânicos, o "Do It Yourself" e as ecovilas, em que o trabalho mental de escritório é deixado de lado para privilegiar o trabalho braçal de cultivar a sua própria comida, de fazer seus próprios objetos de uso pessoal e entrar em contato com a natureza.

A dignidade permeia todo esse contexto. A dignidade está intimamente relacionada à auto estima e a valorização do ser humano. Muitas vezes a sociedade olha com maus olhos o homem do campo, que trabalha debaixo do sol o dia todo roçando e capinando e produzindo a comida da sua família e das famílias da cidade. Porém esse homem pode manter a sua dignidade, sabendo que faz um trabalho honesto e não prejudica os outros. Ao mesmo tempo o homem da cidade que passa duas horas para chegar ao trabalho, realiza um trabalho monótono, alienante, que não diz respeito a sua realidade, e depois pega mais duas horas de trânsito para chegar em casa para, no pouco tempo que tem aos finais de semana tentar aproveitar o dinheiro suado que ganhou, ele também pode manter a sua dignidade ao sonhar em mudar de vida ou dar condições melhores para a sua família.

Há muitas formas de se manter a dignidade. Pode-se pensar na maneira com que a pessoa enxerga a própria realidade, pode-se tentar julgar com critérios que tentam ser objetivos como a qualidade de vida, mas no final das contas cada pessoa deve tentar viver a vida da melhor maneira que pode, criando a cada dia os seus motivos para fazer o que faz.
Tudo que pode ser sabido, pode ser sabido através da ciência. Com seus métodos, testes duplo cegos, hipóteses falseáveis, análises dos dados, é possível saber se uma afirmação é verdadeira ou não, se uma observação é reproduzível ou não, se algo corresponde à realidade ou não. Por outro lado, a ciência só pode saber aquilo que pode ser sabido. E nem tudo o que é verdade pode ser sabido. Fotografias não reproduzíveis, figuras históricas que não entraram para a história, fenômenos raros, conhecimento que não possa ser medido, testado, não deixa de ser verdadeiro só porque não passa pelo método científico. Se a esquerda e a direita são parciais em suas análises, a ciência oferece um método para se tornar imparcial. E se esse método for falho, se propõe uma melhoria para ele.

HTML: expandir e colapsar texto

Primeiro, é necessário seguir os passos nesse link e nesse, para colocar o código HTML necessário no layout do seu blog. Eu já fiz isso. Depois basta fazer o seguinte:


Digitar o seguinte código:

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Dá o seguinte resultado:

Título
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Como exibir texto HTML numa postagem:
Substituir todos os &lt por & l t e todos os &gt por & g t

Drosophila: da UFV à UNIFEI

Eu estudo Ciências Biológicas na UFV, e esse período fiz a matéria de Laboratório de Genética. Entre seminários, aulas teóricas e aulas práticas, tivemos que fazer um experimento com Drosophila. As drosófilas, ou moscas-da-banana, da-fruta, do-vinagre ou como mais você quiser chamar, são moscas (Insecta, Diptera, Drosophilidae) que tem o ciclo de vida muito curto (em 10 dias elas passam de ovo à adulto fértil), dimorfismo sexual (as fêmeas são visivelmente maiores e seu abdome é diferente dos machos) e baixo custo de manutenção (dá pra criar centenas em um pote com um meio de cultura baratíssimo de fazer). Graças a essas características, e ao seu histórico, são usadas até hoje como organismo modelo para o estudo de genética e hereditariedade, além de vários outros estudos (embriologia, etc etc).
E eu nasci em Itajubá, onde fica a UNIFEI, que, com seu novíssimo curso de Ciências Biológicas, ainda não conta com um laboratório de drosófilas. Por causa disso, uma professora da UNIFEI me pediu para levar as linhagens puras da UFV para ela. Para fazer experimentos com essas moscas, para estudar as Leis de Mendel por exemplo, a primeira coisa que você precisa é de linhagens puras. Porque não adianta nada sair cruzando seus bichos se você não souber exatamente os genes que cada um deles carrega. A UFV possui algumas linhagens puras de drosófila há algum tempo, assim como outras universidades do Brasil, e é com elas que fazemos experimentos.

Durante a disciplina, minha equipe fez o cruzamento entre moscas selvagem e taxi. Selvagem é o nome dado para qualquer característica "normal", ou seja, a mais encontrada na natureza. As moscas taxi, por outro lado, tem as asas mais abertas do que o normal, em um ângulo de ~70º.

Drosophila fêmea selvagem

Drosophila macho selvagem
Drosophila taxi
Nos nossos experimentos, fizemos cruzamentos entre moscas selvagem e taxi para ver como seria seus filhos e netos. De acordo com a teoria, os filhos deveriam ser 100% selvagem, e os netos deveriam ser 25% taxi e 75% selvagem. Porém, por vários motivos, a quantidade de moscas taxi foi muito, muito inferior a 25%.

Independente do resultado estar de acordo com a teoria ou não, aprendemos muito sobre como lidar com as drosófilas, sobre genética, sobre experimentação, relatórios e estatísticas. E, justamente por essa experiência ter sido tão legal, me esforcei para permitir que mais alunos de Biologia pudessem ter essa experiência.

No dia 7 de dezembro, um dia antes de viajar de volta para casa, eu passei a noite fazendo meu primeiro meio de cultura de Drosophila. Seguindo uma receita que eu peguei de uns veteranos, a mesma receita que estava no relatório entregue ao professor, fiz.

1     
Preparo do meio de cultura (Do relatório dos veteranos)



Para preparar o meio de cultura efetuam-se duas misturas em separado:

            Mistura I - Ágar 18g
                              Água 875mL
                              Mel   125mL

            Mistura II - Fubá 125g
                               Fermento 50g
                               Água 250 mL

Em um recipiente, dissolva o ágar em água fria, agite bem e leve ao fogo. Adicione o mel e agite bem até levantar fervura. Em outro recipiente misture muito bem o fubá e o fermento Fleischmann com água, até que se dissolva.
Adicione a mistura II ao recipiente da mistura I quando esta estiver fervendo e continue agitando sempre, até ficar moderadamente pastoso. Deixe esfriar durante 5 minutos, adicione 10 ml de solução de Nipagin, misture bem e antes que o meio de cultura se solidifique, distribua em cada tubo de cultura um volume que ocupe cerca de 1-2cm de altura.
Antes dos tubos de cultura receberem as moscas, introduza nos mesmos uma fita de papel de filtro, a qual é previamente embebida na solução alcoólica de Nipagin a 10%. Esta fita será dobrada em V e fixada no meio de cultura com auxílio de uma espátula. Sua função é absorver o excesso de umidade e servir de pouso para as moscas.
Finalmente, adicione um pouco de fermento Fleischmann fresco sobre o meio de cultura e vede cada tubo com uma rolha de algodão cardado.

Não dá para falar que eu segui a receita, mas que eu me inspirei nela, eu me inspirei.

Preparo do meio de cultura (Minha primeira tentativa)


Para preparar o meio de cultura efetuam-se duas misturas em separado:

            Mistura I - Gelatina sem sabor 12g
                              Água 875mL
                              Mel   125mL

            Mistura II - Fubá 125g
                               Fermento biológico Fleishmann 30g
                               Água 250 mL

Na panela, despejei a água, a gelatina sem sabor e o mel. Graças a acontecimentos na república, minha gelatina sem sabor incolor tinha sido usada, e eu precisei usar uma vermelha no lugar. Coloquei no fogo até ferver. Em um outro recipiente, coloquei o fubá, os três pacotes de fermento biológico e a água, e mexi até dissolver bem. Depois que a mistura I ferveu, adicionei a mistura II, e fiquei mexendo sobre o fogo por um bom tempo. De tempos em tempos, tirava um pouco e colocava em um pote de isopor e deixava esfriar, para ver se estava consistente o suficiente para solidificar. Tem que tomar cuidado para o meio de cultura não ficar mole demais, pois se isso acontecer as drosófilas podem ficar presas nele e morrer. Depois que achei o meio de cultura sólido o suficiente, parei de cozinhar e deixei esfriar.
Como não encontrei o fungicida em nenhuma farmácia, simplesmente não coloquei. O que descobri depois que foi uma péssima coisa a se fazer.
Deixei o meio de cultura esfriar, e coloquei ele em garrafas PET de 2l e 2,5l previamente lavadas e cortadas de modo a tirar a boca em funil, deixando a boca bem larga. Coloquei um filtro de café de papel dobrado em cada uma delas, para secar o meio de cultura e evitar a umidade. O filtro de papel também serve para o pouso das drosófilas.
Depois, joguei um pouquinho de fubá em cima de cada meio de cultura, por capricho. Tampei cada garrafa pet com um pedaço de pano e prendi com um elástico. 
 
No dia seguinte, fui até o Laboratório de Drosophila com o professor e peguei as seis linhagens puras que ele tinha disponíveis: taxi, ebony, vestigial, white, taxi ebony, e selvagem. Coloquei cada uma em um pote. Coloquei as seis em uma caixa de papelão, tampei, e peguei o ônibus. Ao chegar em casa depois de 14 horas de viagem, de ônibus de madrugada, espera na rodoviária, e até uma breve chuva por ter que trocar de ônibus no meio da estrada, que felicidade ver as drosófilas ainda vivas, todas as linhagens.

Deixei as garrafas pet sobre uma mesa, bem tampadas com tecido e elástico, e percebi que algumas drosófilas selvagens apareciam do lado de fora dos potes. Fiquei me perguntando se elas são atraídas pelo cheiro do meio de cultura, pelos ferormônios das drosófilas presas, ou pelos dois.

No dia 10 já começaram a aparecer fungos no meio de cultura avermelhado. Ainda não fiz Microbiologia, então nem sei quais fungos eram, Mas tinha preto, filamentoso, branco, todos os tipos. Então decidi que eu precisaria fazer mais meio de cultura, dessa vez com fungicida, para passar as drosófilas para a professora.

Dessa vez decidi seguir a receita que encontrei no software GBOL, desenvolvido e recomendado por professores da UFV.

O Nipargim eu comprei em uma farmácia de manipulação (10g a R$16,00) e pedi para embalarem 1g em cada sachê.

Receita do GBOL

Cultivo em Laboratório

Recipientes
As drosófilas são cultivadas em laboratórios dentro de frascos de vidros, contendo meio de cultura, para a sua multiplicação e sobrevivência. Estes frascos devem ser, de preferência, alongados e com a boca estreita. 
Meio de cultura para drosófilas
São utilizados os seguintes ingredientes no preparo do meio para cultivo da drosófila em laboratório :
·        ágar 18 gramas
·        água 1,255 litros
·        açúcar 41,8 gramas
·        trigo 125 gramas
·        nipagim 10ml (ou solução de parahidroxibenzoato de metila) - fungicida
Esterilização dos frascos:
               Os frascos a serem utilizados como recipientes do meio de cultura devem ser previamente esterilizados em autoclaves.

Preparo da Solução de Fungicida
               A solução de fungicida é preparada com os seguintes produtos:
·        Solução de Parahidroxibenzoato de metila a 10%:
·        10 gramas de Parahidroxibenzoato de metila
·        100 ml de álcool

Preparo:
Pesar os ingredientes, dissolver com um pouco de água o ágar e, com o restante, o trigo. Acrescentar o açúcar e colocar a mistura no fogo mexendo durante todo o tempo para não agarrar na vasilha. Esperar ferver e engrossar um pouco, apagar o fogo e quando a temperatura tiver abaixado um pouco acrescentar o fungicida (nipagim ou parahidrixibenzoato de metila).  Virar com uma concha, ou similar,  o meio de cultura nos frascos já devidamente esterilizados, tomando-se o cuidado de não  sujar as bordas e laterais dos frascos.
Deixar os frascos, contendo o  meio de cultura, tampados. Secar por dois dias até que estejam sem umidade aparente. Quando for utilizar os meios acrescentar uma pequena porção de fermento químico em grãos. Os meios não utilizados de imediato devem ser conservados em geladeira e retirados dela, algumas horas antes de sua utilização.

Rendimento
O meio de cultura preparado é suficiente para cerca de 18 a 20 vidros
E, é claro, a minha receita ficou um pouco diferente da recomendada.

Minha receita, inspirada no GBOL

Recipientes
Comprei seis potes de vidro em uma loja de 1,99. Poderia ter usado potes de maionese usados, mas eu não ia achar seis potes de maionese vazios assim de um dia pro outro.
Meio de cultura para drosófilas
São utilizados os seguintes ingredientes no preparo do meio para cultivo da drosófila em laboratório :
·        gelatina incolor sem cor 24 gramas
·        água 1,250 litros
·        açúcar 80 gramas
·        farinha de trigo 125 gramas
·        nipagim 1g dissolvido em álcool - fungicida
·       
filtro de papel de café
·        fermento biológico Fleishmann
Esterilização dos frascos:
               Os potes a serem usados foram fervidos por cerca de 5 minutos, só por precaução.
Preparo da Solução de Fungicida
               A solução de fungicida foi preparada com os seguintes produtos:
·        1 grama de Parahidroxibenzoato de metila
·        Álcool o suficiente para diluir completamente essa grama (pouco mais de 10ml)

Preparo:
Pesar os ingredientes. Dissolver o trigo e a gelatina em água. Eu coloquei tudo de uma vez na panela, mas acho que seria melhor se tivesse dissolvido separadamente cada um em água, e jogado na panela já completamente dissolvido. Acrescentar o açúcar e colocar a mistura no fogo mexendo durante todo o tempo para não agarrar na vasilha. Acrescentas 30g de fermento biológico e misturar bem. Esperar ferver e engrossar bem, apagar o fogo e quando a temperatura tiver abaixado um pouco acrescentar o fungicida (nipagim ou parahidrixibenzoato de metila).  Colocar  o meio de cultura nos frascos já devidamente fervidos, tomando-se o cuidado de não  sujar as bordas e laterais dos frascos. Colocar
Deixar os frascos, contendo o  meio de cultura, tampados. Jogar um pouco de fermento biológico por cima do meio de cultura já solidificado. Colocar também filtro de papel dobrado no meio de cultura. Secar por dois dias até que estejam sem umidade aparente. Os meios não utilizados de imediato devem ser conservados em geladeira e retirados dela, algumas horas antes de sua utilização.

Rendimento
O meio de cultura preparado é suficiente para seis potes grandes, e o resto foi guardado em um pote de plástico pequeno.

Fiz meu meio de cultura, dessa vez com gelatina incolor, e ficou muito mais parecido com o meio de cultura que eu vi no laboratório da UFV. Decidi seguir a receita e deixar o meio de cultura descansar dois dias antes de passar as drosófilas para ele. Deixei as tampas somente encaixadas nos potes, não totalmente tampadas, o que foi uma má ideia, porque de manhã encontrei duas drosófilas dentro do pote. Soprei elas pra fora. O pote que tinha essas drosófilas selvagens - que provavelmente nem colocaram ovos, só foram atraídas pelo cheiro do meio de cultura mesmo - vai ser destinado para a linhagem pura de selvagem.

Como eu ia esperar para transportar as drosófilas, fiquei com medo dos fungos no meio de cultura antigo matar as drosófilas. Sobraram alguns cristais de nipagim no copo onde eu fiz a solução, e eu decidi usar eles para tentar matar os fungos do meio de cultura antigo. Joguei um poquinho de álcool no copo, para dissolver os cristais que sobraram, e com uma seringa joguei essa solução nos meios de cultura antigos, bem em cima dos fungos. No outro dia, eles pareciam ter diminuído, mas pode ter sido apenas por causa do álcool, e nem tanto por causa do nipagim. Não sei se esse composto tem o efeito de matar o fungo ou de apenas prevenir seu aparecimento. 

No dia 13 encontrei algumas larvas em três linhagens: white, taxi e selvagem. Dois dias depois e todas elas estão cheias de larvas.

Elefante de Sally Ride

"Imagine que você encontra uma mulher deitada na rua com um elefante sentado em seu peito. Você percebe que ela está com falta de ar. Falta de ar pode ser causado por problemas cardíacos. No caso dessa mulher, no entanto, é muito mais provável que a causa seja o elefante sentado em seu peito.

Por muito tempo, a sociedade colocou obstáculos no caminho de mulheres que queriam entrar nas ciências. Esse é o elefante. Até que o caminho seja igualado para homens e mulheres, e os estereótipos persistentes sejam eliminados, você não pode nem ao menos levantar a questão."
Sally Kristen Ride (Los Angeles, 26 de maio de 1951La Jolla, 23 de julho de 2012) foi uma astronauta dos Estados Unidos e a primeira mulher norte-americana a ir ao espaço, após as soviéticas Valentina Tereshkova (1963) e Svetlana Savitskaya (1982). 

As cotas e a ampla concorrência na UFV

Em agosto de 2012 foi sancionada a Lei 12.711, conhecida popularmente como Lei das Cotas. A partir de então, todas as universidades federai...