Querida nostalgia


Querida nostalgia, eu não quero mais te ter.
O de ontem alegria hoje só me faz doer.
Querida nostalgia, até logo até mais ver.
Quero no meu dia-a-dia menos dor e mais prazer.
Querida nostalgia, mande um beijo pra mim mesmo.
Diga que sinto saudades e que tudo de bom desejo.

Se não fosse for mim mesmo não seria hoje quem sou. 
E por isso vale a pena tudo o que a gente passou.  
Diga a ele que havia algo que eu não podia ver.
Algo que só com o tempo fez melhor em florescer.

 Fale pro meu eu passado não ter pressa em crescer.
Mas também não vale a pena nenhum medo ele ter.
Querida nostalgia, só foi bom porque durou
O que se esqueceu num dia foi porque não agradou
Você muito me alivia ao dizer que já passou.

 Querida nostalgia, o seu tempo acabou.

O Ovo


Escrito por Andy Weir
Traduzido por Carlos Buosi, com pequenas adaptações minhas

Você estava a caminho de casa quando morreu.
Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os paramédicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.
E foi aí que você me conheceu.
"O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"
"Você morreu," eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.
"Havia um caminhão... e ele derrapou.."
"Isso mesmo," eu disse.
"Eu... Eu morri?"
"É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.
Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"
"Mais ou menos," eu disse.
"Você é Deus?" Você perguntou.
"É isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."
"Meus filhos... minha mulher," você disse.
"O que tem eles?"
"Eles ficarão bem?"
"É isso que eu gosto de ver," eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."
Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.
Achei numa seção de comentários qualquer:

"Aconteceu em uma escola para crianças de 8 anos. Um dia, a professora disse em sala de aula às crianças que geralmente as frutas vermelhas eram saudáveis por terem muitas vitaminas. A partir deste dia, na hora de recreação das crianças, elas corriam até as fruteiras do quintal da escola e comiam as acerolas e pitangas. Percebendo este fenômeno, o menino mais problemático da turma, sempre com apetite para aprontar com os colegas, plantou um pé de pimenta vermelha e estimulou os colegas a comerem... Depois de todo o alvoroço que se seguiu com as crianças chorando e os pais indignados com tal situação, a Diretora da escola instituiu a seguinte norma: “É proibido comer qualquer fruto do quintal da escola”. Indignado, Joãzinho, o aluno mais aplicado da turma, foi até a Diretora questionar tal decisão: “Como a senhora pode nos proibir de comer todas as frutas, se existem frutas boas as quais eu conheço?”. O que a Diretora respondeu: “Nem todos são espertos como você meu filho, muitos não sabem distinguir o que é bom do que não é”. Não satisfeito, Joãzinho foi ter com sua mãe ao chegar em casa. Mas ela lhe respondeu prontamente: “Meu filho, conheço a Diretora da escola e confio muito nela, apenas obedeça”. Passado um ano do incidente, a Diretora incumbiu o jardineiro de sua confiança de fiscalizar diariamente as fruteiras de modo que nunca houvesse naquele quintal qualquer fruto que fizesse mal aos alunos. E então eliminou a antiga norma proibitiva."

Comentário de "M Falcao"
Fonte: http://padrepauloricardo.org/episodios/a-igreja-mudou-o-seu-ensinamento-com-relacao-a-pena-de-morte

O início da carreira de Lemony Snicket


Lemony Snicket voltou com mais uma série de livros situada no universo de Desventuras em Série. Mas em "Quem Poderia Ser A Uma Hora Dessas?", ao invés de órfãos sem lugar para ficar e incendiários fugitivos, o protagonista é o próprio Lemony Snicket, que nos conta como foi sua infância e suas primeiras missões.
Depois de sua formatura, Lemony escolhe a pior tutora da lista, na esperança de poder ir para a cidade grande, e ter tempo livre o suficiente para trabalhar em seus projetos paralelos com uma aliada misteriosa. Porém, ele acaba na miserável cidade de Manchado-Pelo-Mar, onde terá sua primeira missão: roubar uma pequena estatueta no formato de uma criatura mística do folclore da região, a Fera Ressonante, e devolvê-la ao seu legítimo dono. Porém, descobrir quem é o verdadeiro dono é o verdadeiro desafio, pois muitas pessoas estão atrás dessa estatueta, apesar de ela aparentar ser apenas uma quinquilharia sem valor algum.
No caminho, Lemony se aventura em cabines abandonadas, mansões abandonadas, cafeterias abandonadas e bibliotecas semi-abandonadas. Ao longo desses lugares, o protagonista conhece várias pessoas, como irmãos taxistas que fazem viagens por "dicas" (uma tradução do inglês, onde "tip" pode significar tanto gorjeta quanto dica), uma aspirante a jornalista que escreve tudo o que acontece em sua máquina de escrever portátil, um irritante moleque mimado pelos pais e uma misteriosa garota que está em busca do seu pai. Agora, quais delas são amigas e quais são inimigas, o pequeno garoto Snicket terá que descobrir por si próprio.
Essa autobiografia autorizada, que é apenas a primeira de quatro, é ilustrada por Seth Little e apresenta uma outra face do autor do Dossiê Baudelaire e ajuda a entender (ou confundir) um pouco mais os (muitos) mistérios que não foram explicados em Desventuras em Série. Apesar do foco diferente, o estilo de escrita é bem parecido, e a leitura agrada tanto os voluntários que já são fãs do autor quanto os que (ainda) não sabem nada sobre CSC.

A vida da avenida


Ia e vinha
Sem sair do lugar
Apenas dava a passagem
Pra quem quisesse passar
Não fazia nada
Que valha a pena aqui mencionar
Nas horas vagas, se perguntava se a vida era só aquilo, que já conhecia.
Vivia na avenida.
Via ali a vida
mas deixava ela passar.
Não ia nem vinha.
Ficava ali,
parado,
olhando,
somente a esperar.

Filósofo não é aquele que pensa sobre a vida, mas aquele que escreve e publica seus pensamentos, ou pelo menos fala eles pra alguém.
Será que eu continuo sendo filósofo se ninguém ler o meu blog?
Este é o livro de novembro da parceria com a Companhia das Letras, mas que por um erro do correio só foi entregue na segunda semana de dezembro. Um mês e duas semanas depois de a editora ter enviado. Atraso a parte estava muito ansiosa por ler a nova série de Lemony Snicket. A escrita cheia de humor ácido, cenários improváveis do autor sempre me conquistou e aqui temos o primeiro livro de uma série autobiográfica que conta sua juventude e sua adesão a uma misteriosa organização. 

Lemony embarca com sua nova tutora, S. Theodora Markson, para a cidade de Manchado-Pelo-Mar. A cidade teve o mar drenado e tudo o que restou foram estradas lotadas de pedras e uma assustadora floresta de algas. A primeira missão de Lemony é na cidade, mas desde que entrou no carro com Theodora que ele sabe que isso foi a coisa errada a se fazer. E bater na porta da velha mansão também foi um erro. A Sra. Sally contratou-os para encontrar a estatueta da Fera Ressonante. Segunda ela a estatueta está em sua família a gerações e desapareceu da estante. Sally culpa os Mallahans e Theodora, a tutora de Lemony nem questiona os furos de sua história. É quando os dois parte para o roubo da estatueta que as coisas saem erradas. Tem alguma coisa errada acontecendo. Lemony consegue escapar de ser capturado pela polícia e ao cair na árvore certa ela conhece Ellington Feint, uma garota que pode ter muito mais a ver com o mistério da Fera Ressonante. Entre telefonemas misteriosos, perguntas erradas e respostas certas Lemony, Ellington, Moxie e até mesmo Theodora precisam descobrir o que está por trás da história da Fera Ressonante. Ela foi mesmo roubada ou sempre pertenceu aos Mallahan? E quem é esse misterioso homem que anda a ameaçar a todos?

A premissa é essa e a narrativa de Lemony Snicket é uma coisa. Ele é um daqueles raros escritores que podem escrever o que quiser dos maiores absurdos as piadas mais óbvias. Personagens caricaturados, diálogos cheios de duplo sentido e um cenário absurdo. Uma pequena cidade que teve ser mar drenado. Porque é a pergunta que qualquer pessoa faria não é mesmo? Mas não temos nada disso. Enquanto o jovem Snicket tenta resolver o mistério da Fera Ressoante ele tromba com mais perguntas sem respostas e um misterioso personagem que deve guiar a história pelos próximos livros da série. A narrativa tem um ritmo fluido, uma escrita rica e que desenvolve tanto a trama quanto os assuntos paralelos de forma rápida, sem muitas voltas, mas ainda assim intrigante. 

Uma das coisas de que mais gostei foi que apesar da tutora de Snicket ser uma anta, que não enxerga um palmo diante do nariz quando se trata de histórias mal contadas, ele não ficou preso a suas decisões como é normal quando tem um adulto em cena. Ele segue suas conclusões e deixa Theodora uma onça, mas consegue resolver o mistério com esperteza e um pouco de astúcia. Dos personagens secundários a mais interessante é Moxie. Filha do ex-dono de jornal da cidade. Ela é uma máquina de perguntas como toda boa jornalista. Espero ver os dois mais juntos nos próximos livros. A história encerra de forma satisfatória. Não vou mentir que esperava um pouco mais. Acabou ficando pontas abertas demais e para os curiosos como eu vai ser difícil esperar por respostas.

Leitura rápida, trama inteligente e instigante em um cenário extremamente criativo. Se for fã do autor ou se quer algo totalmente diferente do que está acostumado sugiro que leia o quanto antes. A edição da Seguinte é ótima. A capa é softouch e as ilustrações deram o toque final à história. Recomendado a todos que gostam de mistério, humor e um juvenil diferente de tudo o que você já leu se ainda não conhece os livros de Snicket. Imperdível. Leiam! Até mais!

Não sou perfeito.
Eu vou te machucar,
Mas (quase) nunca por querer. 
Eu tenho defeito.
Mas se você me perdoar
Eu (muito) vou te agradecer.

A vida é desse jeito.
Eu vou sempre melhorar
Para (tentar) nunca te perder.

As cotas e a ampla concorrência na UFV

Em agosto de 2012 foi sancionada a Lei 12.711, conhecida popularmente como Lei das Cotas. A partir de então, todas as universidades federai...