É preciso aprender a jogar o jogo da política

Em uma discussão no grupo "Itajubá Reclama" no Facebook, um dos membros do grupo enfatizou que um dos fatores que fizeram a PL122 (que transformaria a homofobia em crime) não ser aprovada foram os cidadãos contrários à medida que pressionaram seus deputados a votar contra. No mesmo grupo, enquanto algumas pessoas discutiam os gastos que a prefeitura teve com os shows no final do ano, outra pessoa veio reclamar da Copa do Mundo e do Bolsa Família, e, segundo a pessoa, não importa se o governo é federal ou municipal, "o que importa é que o dinheiro é público".

No último Ocupa Praça, realizado pelo Basta Itajubá na praça do Carneiro Júnior, tivemos a palestra de Wernner e Fulvio, ambos do Coletivo Pouso Alegre. Entre outros assuntos, eles enfatizaram a importância de estudar e entender como funciona a política.

A política, como tudo, tem regras. E é preciso entender como essas regras funcionam para poder participar dela. Desnecessário falar da importância da política nas nossas vidas - afinal, são os políticos eleitos que decidem como e onde vai ser gasto o nosso dinheiro e quais leis serão criadas e mantidas. É preciso entender que regras são essas para poder denunciar quando alguém não está seguindo essas regras. É preciso aprender a jogar o jogo da política para fazer valer os nossos interesses como população.

Mas porque é tão importante entender essas regras da política? Imagine que você assista uma propaganda de um restaurante fast food que te incomoda, e você vai até um desses restaurantes reclamar para o funcionário que trabalha no caixa. O funcionário vai rir da sua cara, porque a propaganda não tem nada a ver com ele, e ele não pode fazer nada para mudá-la. É mais ou menos o que acontece em alguns setores da política. Não adianta reclamar para o governo municipal que um trecho de rodovia federal está com buracos. E também não adianta xingar o governo federal porque os ensinos fundamental e médio estão em mau estado, porque eles são responsabilidade do governo municipal e estadual. É preciso entender como funciona a política para identificar quem são os agentes responsáveis pela saúde, educação e obras, e poder cobrar das pessoas certas aquilo que é da sua responsabilidade.

Existem vários setores da sociedade que já entendem como funciona a política, e a utilizam para defender seus interesses. Um desses setores são os grandes produtores rurais do país, que têm uma grande representatividade no legislativo, com seus inúmeros deputados federais, senadores e deputados estaduais, e com isso conseguem que diversos projetos de lei que os beneficiam sejam aprovados. Outro setor, bem diferente, é o movimento hip hop em Pouso Alegre, que tem o seu representante na câmara dos vereadores da cidade. Os grupos sociais que integram esse movimento cultural, como os skatistas, breakers e rappers, uniram forças e conseguiram colocar um vereador na câmara. A partir de então, esse vereador eleito passou a defender os interesses do grupo que havia o colocado ali, e os cidadãos desse movimento passaram a ser ouvidos. Conseguiram reformar a pista de skate municipal, criaram um Fórum do Hip Hop em Pouso Alegre, e estão perto de instituir a Semana do Hip Hop na cidade.

Não há nada de errado em ter o seu representante no governo. Tanto a bancada ruralista como o vereador hip hop chegaram ao poder legalmente, através das eleições. O que realmente importa é o que esses representantes fazem com o poder, e quando apenas um lado da sociedade é ouvido e o outro ignorado é que ocorrem as distorções e as injustiças. A balança começa a pesar apenas para um lado, e o outro lado, que muitas vezes é quem mais sofre na sociedade, sai prejudicado. Por isso é importante ter várias vozes de diferentes origens dentro das câmaras - para evitar essas distorções, ou ao menos amenizá-las, e garantir a todos o direito de ser ouvido.

É preciso se envolver com política, é preciso colocar pessoas que te representem no poder, e é preciso mostrar para esses representantes o que pensamos sobre determinados assuntos, pois só assim eles poderão de fato nos representar. Muitas vezes, projetos que desagradam e até prejudicam a população em geral são aprovados porque a população não usou a sua voz. Mas não adianta cobrar do prefeito o que é dever da câmara dos vereadores. É necessário estudar e aprender como funciona o sistema para saber direcionar as críticas e as reclamações, e para que o sistema passe a trabalhar para nós, os cidadãos. E além de apenas atacar e impedir projetos ruins, é importante propor e apoiar os projetos bons, cobrando melhorias e questionando o que não está certo, trabalhando para uma realidade cada vez mais justa para todos.

Mateus S. Figueiredo

Como contornar as limitações do site da Folha Online

Não sei se vocês tem o costume de ler a Folha online, mas ela é um dos sites mais chatos da história recente da internet. Um porque ela não deixa copiar os textos (é, crtl+c não funciona) e você tem um limite de tantas notícias por mês, e depois, para ler, só se pagar.

Pois bem, eu já descobri dois jeitos de contornar essas limitações, usando o nosso amigo Google, e resolvi dividir com vocês.

Para copiar os textos da Folha, selecione o texto como se você fosse copiar. Aí, clique o o botão direito. Não, clicar em "copiar" não vai adiantar. Em vez disso, clique em "Pesquisar no Google". Depois, é só ir na aba do Google que abriu e copiar o texto da barra de busca. Acho que não funciona com textos muito grandes, mas é melhor do que reescrever tudo no bloco de notas.


Agora, se você estourar o limite de reportagens por mês, a coisa é um pouquinho mais complicada. Para ler a matéria original, você precisa saber o título dela, e jogar no Google. Então, quando achar o link da matéria que quer ler, clique na setinha ao lado do título, e clique em "em cache". O Google faz uma cópia periódica de vários sites da internet, e se você der sorte, ele pode ter a cópia da matéria que você quer ler. E você pode mandar o link do cache para o seu amigo que também já estourou o limite de matérias por mês.


Se alguém conhecer mais técnicas, ou jeitos melhores de realizar essas, pode me mandar que eu incluo na postagem.

Pequeno Manual Incompleto Em Construção para Discussões Sobre o Feminismo

Tentei criar algumas regras para fazer com que mulheres e homens possam discutir sobre o feminismo sem que a coisa toda desande e o clima fique desagradável para todxs.


  1. Não diminua o sofrimento do sexo alheio. Se a mulher fala que sofre por isso, isso e aquilo, o homem não deve deslegitimizar o sofrimento dela por qualquer motivo. Se o homem fala a mesma coisa, a mulher também não deve deixar o sofrimento dele de lado.

Joio e Trigo

(Mateus 13:27-30)
Naquele tempo...
Servos: Ô Senhor, cara, você não tinha plantado semente boa no campo? Tem um monte de joio crescendo junto lá.
Senhor: Droga. Foi algum babaca que fez isso ae.
Servos: Saquei. Que chato. Quer que a gente vá lá e arranque?
Senhor: Não, cara. Vocês são burros. Se vocês forem fazer isso vcs vão acabar arrancando um monte de trigo junto. Deixa os dois crescerem que depois eu falo pros ceifeiros separarem o joio do trigo, porque vocês não sabem fazer isso não.

Sabe aquela velha história de julgar os outros? Você pode ser o cara mais sabido, mais estudado, mais fino, mais ético e moral, mas ainda é humano. A sua função não é separar o joio do trigo, ainda mais porque você não tem a capacidade de fazer isso. A sua função é outra. A sua função é ajudar, conversar, ensinar, trabalhar, semear. Não separar.
Adão comeu a maçã e desde então acha que sabe o que é bom e o que é mau. Acha que tem direito de julgar os outros. Acha que sabe qual comportamento é aceito por Deus e qual não é. Mas não sabe. E nem você.
(Trecho do livro Maya, de Jostein Gaarder)
— O espírito universal fala sozinho porque só há um espírito universal.
— E qual é o nome desse espírito?
— Você mesmo. (Jostein Gaarder. Maya, pág. 208)

Mundo

(Trecho do livro Maya, de Jostein Gaarder)

— Bobagem. Você não tem a menor idéia do que estou falando. Não estava lá...
Eu estou em toda parte, Frank. Só existe um eu.
— Faça-me o favor de parar já com essa besteira!
— Só acabo de expressar o enunciado mais simples e mais óbvio do Universo.
— E qual é esse enunciado?
Só existe um mundo.
— De acordo. Só existe um mundo.
E esse mundo é você.
— Pare com isso.
Você vai ter que cortar as amarras do eu. Não pode, pelo menos, tentar tirar os olhos do seu umbigo e olhar para fora, para a natureza que o rodeia? Olhar para essa cachoeira ininterrupta de realidade mágica?
— Tento olhar.
— E o que vê?
— Vejo um coqueiral no hemisfério sul.
— É você.
— Depois vejo Ana sair nua da banheira sob a cachoeira Bouma.
— É você.
— Reconheço a cabeça dela, mas não o corpo.
— Concentre-se.
— Vejo um planeta vivo.
— É você.
— Depois vejo um Universo aterrorizante com bilhões de galáxias e amontoados de galáxias.
Tudo isso é você.
— Mas quando olho para o Universo, olho também para trás, para a história do Universo. Na realidade, estudo acontecimentos que têm até bilhões de anos. Muitas das estrelas para as quais olho, e no instante em que olho para elas, já se transformaram há tempo em gigantes vermelhas ou em supemovas. Algumas já se transformaram em anãs brancas, raivosas estrelas de nêutrons e buracos negros.
— Você está contemplando seu próprio passado. É isso que se chama memória. Tenta lembrar de alguma coisa de que se esqueceu. Mas tudo é você.
— Sou um sistema caótico de luas e planetas, asteróides e cometas.
— Tudo é você, porque só há uma realidade.
— Mas eu lhe disse que estava de acordo com isso.
— Só há uma substância, só há uma matéria.
— E sou eu?
— É você.
— Então não sou pouca coisa.
— Só se você conseguir se dar conta disso, se conseguir se entregar.
— Correto. E por que é tão difícil assim?
— Porque você não quer renunciar ao seu pequeno eu, é simples.
— Até as soluções simples podem ser difíceis de levar a cabo. Por exemplo, é muito simples se suicidar.
— Você não é tão primitivo.
— Primitivo?
— Além do mais, isso supõe que você tenha um ego a perder.
(...)
— De certo modo, você vai ter que morrer. Tem que cometer esse pequeno ato ousado.
— Mas você não acabou de dizer que essa não seria a solução?
— Quando falo que vai ter que morrer, falo em sentido figurado. Não é você que tem que morrer. Essa idéia ampla demais de um “eu” é que tem que morrer.
— Estou fazendo uma confusão tremenda com o uso que você faz dos pronomes pessoais.
— Pode ser. Talvez precisemos de um novo pronome.
— Tem alguma sugestão?
— Com certeza já ouviu falar do pluralis majestatis.
— Claro. É quando um rei ou um imperador fala de sua excelsa pessoa denominando-se “nós”. Plural majestático, é assim que se chama.
— Acho que além dele necessitamos de um singular majestático.
— Para quê?
— Ao dizer “eu”, você apenas se aferra a uma idéia do ego que ainda por cima é falsa. Tente pensar em todo este planeta e, além disso, em todo o Universo de que este planeta é uma parte orgânica.
— Estou tentando.
— Pense em tudo o que você é.
— Estou pensando em tudo o que sou.
— E em todas as galáxias, em tudo o que explodiu há quinze bilhões de anos.
— Sim, em tudo.
— Então diga “eu”.
— Eu.
— Foi difícil?
— Um pouco. Mas foi divertido também.
— Pense em tudo o que você é. Depois diga em voz alta: “Isto sou eu!”.
— “Isto sou eu”...
— Não achou libertador?
— Um pouco.
— É porque você empregou a nova forma, singularis majestatis.
— Não diga!
— Acho que você está no caminho certo, Frank. (Jostein Gaarder. Maya, pág. 202-206)

Maya

(Trecho do livro Maya, de Jostein Gaarder)

— Deixemos tudo isso de lado, deixemos de lado os smokings e os banquetes, a maquiagem e os alfinetes de gravata, os depósitos bancários e os espelhos barrocos na lareira, deixemos de lado, quer dizer, tudo isso com que nos decoramos em contextos sociais, sobram-nos dois, dez anos ou, na melhor das hipóteses, algumas décadas de vida nesta Terra. Existem, pois, em geral, algumas perspectivas existenciais que dizem respeito a todos nós, embora falemos muito pouco delas. Proponho, portanto, que esta noite tentemos prescindir de nossos interesses e afazeres arbitrários, e nos concentremos em algo que diz respeito a nós todos. Certamente porque lembrei da conversa com Gordon na noite anterior, escapou-me:
— O Universo, por exemplo.
Só devo ter murmurado, porque John perguntou:
— O que disse esse senhor?
— Por exemplo, o Universo — repeti.
— Excelente, excelente. Temos uma proposta de, esta noite, centrar a conversa no Universo.
(...)
Chegou a vez de Laura, que não escondeu que grande parte da inspiração para sua visão de mundo era alimentada pela filosofia hindu, sobretudo pelas seis escolas ortodoxas chamadas vedanta, melhor dizendo, keval-advaita, expressão que vinha do filósofo Shankara, que viveu na índia no início do século IX. Keval-advaita significa “não-dualismo absoluto”, esclareceu Laura. Proclamou que só existe uma realidade e que os hindus a batizaram de brahman ou mahatma, que significa “alma universal” ou, numa tradução mais direta, “a grande alma”. Brahman era eterno, indivisível e imaterial. Desse modo, todas as perguntas feitas por John receberam resposta, e apenas uma resposta, já que brahman era a resposta a todas as perguntas feitas.
— Deus nos livre, Laura — suspirou Bill, que havia sustentado um otimismo científico bastante ingênuo.
Mas Laura não se alterou. Explicou que toda pluralidade não passava de aparência.Quando no dia a dia percebemos o mundo como algo variado e plural, isso se deve unicamente a uma miragem, falou, ou ao que os hindus durante milhares de anos vêm chamando de maya. Porque não é o mundo exterior, visível e material que é real.
Esse mundo não passa de uma ilusão onírica, e certamente real para os que estão presos em sua rede. Mas, para o sábio, o mundo real é brahman, a alma universal.
A alma humana é idêntica ao brahman, explicou, e quando entendemos isso, desaparece a ilusão da realidade exterior. Então a alma se toma brahman, o que na realidade sempre foi, mas sem que soubéssemos.
— Ela disse a última palavra — afirmou John.
— O mundo exterior não existe, e toda pluralidade não passa de aparência.
(...)
— Cremos que somos nove almas sentadas em tomo de uma mesa — precisou Laura. — Isso se deve a maya. Na realidade, somos facetas da mesma alma. E a ilusão maya que nos faz crer que os outros são distintos de nós, por isso não devemos ter medo da morte. Não existe nada que possa morrer. A única coisa que desaparece quando morremos é a ilusão de estarmos separados do resto do mundo, da mesma maneira que pensamos que o que sonhamos está separado da nossa alma.
(...)
— Existe uma realidade fora desta. Quando eu morrer, não terei morrido. Todos acreditarão que morri, mas não estarei morta. Logo voltaremos a nos encontrar em outro lugar. (...)
— Vocês vão pensar que foram a um funeral, mas na realidade irão assistir a um nascimento. (...)
— Há alguma coisa fora disto — insistiu. — Aqui não somos mais que espíritos efêmeros, que estão de passagem. (Jostein Gaarder. Maya, pág. 184-197)

As cotas e a ampla concorrência na UFV

Em agosto de 2012 foi sancionada a Lei 12.711, conhecida popularmente como Lei das Cotas. A partir de então, todas as universidades federai...