Mais que uma cama macia
Terça-feira Tediosa
Túlio, 30, tomava terebintina, tranquilo. Telefone tocou. Teimoso, tateou. Tocou tafetá, tapete, tábua, tarântula... Tarântula!? Temia tal troço tenebroso. Transtornado, tacou tênis. Tirou. Tarântula torcida, transfixada, trêmula. Tragédia? Talvez.
Tiago tentou trocar. Três trinta três, treze trinta. Tocou, tocou, tocou...
Tamires, "teen", tocava trombone. Tinha talento! Trajava tomara-que-caia tingido, tanga tijolo, tiara turquesa, tamanco. Tentara tuba, teclado, tímpano: terrível. Tocava trombone! Tinha
trofeus, transmitia tonalidades transcedentais.
Tarsila, tia, trazia telefone tocando.
-"Thanks", tia. Tamires Turino, tagalere.
-Tamires? Tem tempo? - Tiago tramava.
-Tenho...
-"Tão tá". Tu tens tomate?
Tomate? Tinha, Tamires tinha tomate.
-Tenho - Tamires tolerava tolos.
-Tens também tangerina?
-Tenho, trapalhão.
- Tens trigo? Torrada? Tapioca?
- Talvez tenha.
- Tens tudo!?
-Tá, tenho.
-Tens também trote.
Tamires tinha temperamento tranquilo. Triunfou tal transgressão. Tirou
tiara, trovejou:
-Telefonema tapado.
What Techers Make, or Objection Overruled, or If things don't work out, you can always go to law school, by Taylor Mali
Dentro
Sociedade. A sociedade é para as pessoas o que um mordomo é para os livros de mistério. Um monte de gente que não sabem realmente o qual é a causa de cada mal que lhes aflige. Não têm conhecimento, interesse ou coragem de apontar o dedo e dizer é você. Você é o culpado do mal. Têm preguiça de pegar a pá e cavar em busca da raíz. Afinal, é muito mais fácil culpar aquilo que todos culpam, aquilo que ninguém sabe realmente o que é. Sociedade. Um conjunto de pessoas reclamando dos problemas que um conjunto de pessoas faz. A roupa suja não se limpa sozinha.
Sociedade. Um monstro de sete cabeças, que pode ser estudado, mas nunca compreendido. De cada ângulo que você olha, uma coisa. Um problema daqui, uma vantagem de lá. A sociedade é como a verdade, ninguém sabe o que ela é.
Talk with Sooyoung, from Korea
Pela janela do quarto, tudo enquadrado
Chamo o elevador. A porta abre, e o ascessorista sem rosto me eleva até o nono andar. Tiro o casaco e me jogo no sofá. Oito e trinta e sete no meu celular. Desligo a televisão após uma rápida sapeada pelos inúmeros canais, casa qual com seu apresentador de botox no rosto e um vazio no peito. De cada cinco canais, seis estavam nos comerciais: dois de cerveja, três de carro e outros dois de pasta de dente. O rádio é ligado. pelo menos não toca funk no rádio, mas o rap é um lixo quase igual. Desliso os dedos pela prateleira e escolho um CD de Milton Nascimento.
Sonho: Novela Mexicana
Fé e razão
Qual a relação entre fé e razão?
Fé e razão não são água e óleo. Podem até brigar de vez em quando, mas no final do dia vão dormir de mãos dadas.
Fé e razão não são motivo para discussão. Fé e razão, juntas, não são mais que uma faceta pouco interessante do indivíduo. Separadas, cada qual é interessantíssima. Cada uma afeta a vida do cidadão por um caminho diferente. Conhecimento, moral, sabedoria, verdade.
Qual é o sentido da vida? Se o seu objetivo nessa Terra for liberdade, poder fazer tudo o que quiser quando bem entender, nenhum desses dois caminhos te levará a ela. A fé te dirá o que não fazer, a razão te dirá por que não fazer. O resultado é o mesmo: você não fará o que vai te fazer mal.
O objetivo máximo na vida é a felicidade. E saber que a felicidade é saber respeitar os limites. Em questão de certo e errado, a fé é a voz da razão. Para chegar a uma conclusão por meio da lógica, você precisa ter alguma experiência a priori. Ou seja, você tem que se ferrar uma vez para não se ferrar mais. A fé te dá uma mãozinha: “cara, não faz isso que você vai se ferrar”.
Tanto fé quanto razão tem um objetivo em comum. Ambas querem descobrir a verdade por trás das coisas, o sentido e a razão de tudo, a resposta para a vida, o universo e tudo mais. Cada uma tem um método diferente. Mas não importa se você acredita que o universo foi criado em 7 dias ou surgiu em uma explosão; se o homem foi criado do barro ou a capacidade neural que temos surgiu através de milênios de mutações. O simples fato de você acreditar em um ou em outro não faz diferença. O que faz diferença é como isso vai afetar a sua vida.
Não é porque um livro te diz que tal coisa é certa ou tal coisa errada que você tem que acreditar piamente nela. Seja esse livro um texto argumentativo da internet ou a Bíblia, é preciso entender que aquilo foi escrito por alguém, para alguém, e por algum motivo. Não é porque as fábulas de Esopo não aconteceram de verdade que elas não podem mudar a vida de alguém. Uma lição de moral pode vir de um livro, um filme ou de uma música.
O mais importante é saber que o jeito de enxergar as coisas muda. Dinossauros não são dragões, a Terra não é o centro do Universo, ratos não brotam de camisas suadas. O que hoje é certo pode ser completamente errado amanhã. Por isso, não vale a pena discutir algumas coisas. Mais vale uma pessoa com um sorriso no rosto do que duas numa discussão.
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