toque toque toque

"Disse o mais tolo: Felicidade não existe.
O intelectual: Não no sentido lato."

Se a felicidade for um período na sua vida, esse período é a infância.
Mas a felicidade não é um período. A felicidade nunca é contínua, porque a vida não é constante.
A vida não é homogênea, tem um monte de caroços no meio.

A felicidade é o nome dos pequenos pontos de alegria
Felicidade é o nome do pico. O pico alto, pequeno, quase inalcançável, mas necessário. E é sempre o pico que chama mais atenção em uma paisagem.

Felicidade é quando o momento é interessante o suficiente pra te distrair da tristeza generalizada que é a realidade.
O segredo para a felicidade é saber quando esse momento acabou. E ir dormir logo em seguida.
"Como anda a vida?" Você quer mesmo saber? A vida é um oceano. Por isso, é impossível eu te responder "como anda a vida". Eu posso falar das ondas, das tempestades, dos corais, dos arrecifes, dos tubarões, das baleias, dos peixes abissais e das das simpáticas anêmonas, posso falar dos barcos e submarinos, das conchas, dos caranguejos e das estrelas-do-mar e dos vários tipos de algas que eu não vou chegar nem perto de te responder como vai o oceano. Eu só posso te dizer como é que tá a superfície dele. E a superfície tá bem calma, muito obrigado.

O canto dos pássaros


Eu acho que o lugar preferido dela era a varanda de casa. Se pudesse ir para qualquer lugar do mundo, ela escolheria a varanda. Não, ela escolheria a África, mas eu segundo lugar ficaria a varanda. É claro que era uma bela varanda. Era bem arejada, e tinha uma vista para um pequeno bosque. Eu não sei o que ela tanto olhava para o bosque. Às vezes eu ia até ela, colocava os braços em sua cintura e ficava olhando o bosque também, mas depois de alguns minutos já ficava entediado. Eram sempre as mesmas árvores, as mesmas folhas, a mesma coisa. Às vezes, ela ficava tão mesmerizada pelo movimento que o vento dava aos galhos que nem percebia que eu colocava os pés sobre a sacava de madeira (algo que, em qualquer outra ocasião, faria com que ela gritasse comigo).
Havia dias em que ficávamos horas naquela varanda, eu lendo um livro ou trabalhando, e ela só apreciando a vista. A rotina dela parecia monótona, mas ela não parecia se in comodar. Chegava do trabalho, regava as flores - rosas e delicadas - e ia observar o bosque. No verão, dava um mergulho na piscina, mas sempre voltava para admirar o bosque.
Nos finais de semana de inverno, quando não estava muito quente, nós tirávamos o dia para explorar o bosque. Eu ia com o meu tênis preto, e ela prendia o cabelo. Dizia que era para não atrapalhar a visão. Em uma dessas excursões, nós fizemos um pique-nique em uma clareira. Ela pasou a manhã inteira preparando a cesta. Escolheu a melhor garrafa de vinho, fez sanduíches e outras guloseimas. No outro dia, estávamos cheios de picadas de insetos no corpo, mas valeu a pena.
Um dia, ela veio até mim e contou a notícia: ela estava grávida. Com o tempo vieram mais dois. Foi o fim das caminhadas tranquilas a dois, foi o fim da casa silenciosa e das incontáveis horas em que ela ficava observando o bosque, e eu ficava observando ela. Quando as crianças crescerssem um pouco, nós iríamos levá-las até o bosque, e teríamos um pouco mais de paz. Mas por enquanto, o canto dos pássaros havia sido substituído por um som ainda mais precioso: a risada de criança.
Janeiro, mês de Jano,
deus grego das escolhas.
Janeiro, começo do ano,
hora de fazer promessas.

Tenho medo da palavra amor. Não tenho medo de amar, não tenho medo de ser amado. Não tenho medo do sentimento. Não tenho medo do significado. Tenho medo da palavra. Não sei falá-la, não sei ouvi-la, não sei adequá-la à situação. Não sei o quando, nem o onde, nem o para quem.
Ou talvez saiba, mas tenha medo de descobrir.

O viajante sobre o mar de névoa


“O mundo é fantástico” suspirou, apoiado em seu bastão. “O mundo é único a cada instante, e diferente para cada pessoa. Olhe essa névoa. Ela nasce e desaparece a cada segundo, e muda de forma a cada piscar de olhos. Olhe essas montanhas. Grandes e rígidas, vão ficar por aí por mais dezenas de gerações. As duas, juntas, fazem desse momento único. Fazem desse momento um momento especial para ficar na memória.”
Ele olhou para os lados.
“Eu estou no topo da montanha. Estou no topo do mundo. Estou no máximo que vou chegar. Esse é o meu melhor, esse é o melhor que a minha montanha tem a oferecer. Não é o cume. Não precisa ser o cume para ser o melhor. De nada adianta um cume cercado de árvores para aquele que só quer admirar a paisagem e enxergar longe.”
Girou o pé esquerdo no chão, sentindo o solo duro.
- Que horas são? - disse em voz alta para ninguém ouvir.
Tirou o relógio do bolso, e quando levantou novamente o rosto, a paisagem já havia mudado. Novas árvores se revelavam diante de seus olhos. Uma visão nova e única a cada segundo que passava.
Acompanhar as aulas acabou sendo mais fácil do que eu esperava. Minha tendência natural a passar a maior parte do tempo no meu quarto, lendo, me deu uma grande vantagem sobre a média dos alunos de Culver Creek. (…)
E também prestava atenção às aulas, mas, naquela manhã de quarta-feira, quando o Sr. Hyde começou a dizer que, para os budistas, todas as coisas estavam interligadas, eu me peguei olhando pela janela. Estava observando o morro arborizado e em suave declive para além do lago. E, vistas dali, da sala do Sr. Hyde, as coisas realmente pareciam interligadas. (…) Então eu ouvi meu nome e sabia que estava encrencado.
“Sr. Halter”, disse o Velho. “Estou aqui forçando os meus pulmões em benefício da sua instrução. E, no entanto, algo lá fora parece ter chamado a sua atenção de uma maneira que eu não fui capaz de fazer. Por favor, me diga: o que descobriu de tão interessante lá fora?” (…)
“Bem, é que eu estava olhando pela janela, sabe, olhando para o morro e estava pensando que bem, as árvores e a floresta, como o senhor estava dizendo antes…”
O Velho, que obviamente não tolerava digressões em voz alta, me interrompeu. “Vou pedir ao senhor que se retire da sala, Sr. Halter, para que possa ir até lá e descobrir a relação entre as bem-árvores e a sabe-floresta. E amanhã, quando estiver pronto para levar essa aula a sério, será bem-vindo.”

[…]

No dia seguinte, o sr. Hyde me pediu para esperar depois da aula. De pé diante dele, eu me dei conta, pela primeira vez, de quanto seus ombros eram encurvados, e ele me pareceu, de repente, triste e meio velho.  “Você gosta dessa aula, não gosta?”, perguntou.
“Sim, senhor.”
“Você tem a vida inteira para meditar sobre o conceito budista da interligação.” Ele falava como se tivesse escrito e memorizado cada frase e, agora, estivesse lendo. “Mas enquanto olhava pela janela, perdeu a oportunidade de explorar o preceito budista igualmente interessante que diz que devemos prestar atenção em todos os aspectos da nossa vida cotidiana, que devemos realmente prestar atenção. Preste atenção na aula. E depois, quando ela acabar, preste atenção lá fora”, ele disse maneando a cabeça na direção do lago e além.
“Sim, senhor.”
(Quem é Você, Alasca? Págs. 39-40, 51)

Singela confusão


"Quem quer acha um jeito, quem não quer acha uma desculpa."

Quem sabe tá bom do jeito que tá.
Quem sabe não tem como melhorar.
Quem sabe seja melhor não arriscar.
Quem sabe eu deva deixar pra lá.

Me convenço a ser inesperado
mas nada sai conforme planejado
Se não mudo a mira não mudo o tiro
Se não decido o alvo, onde eu miro?

Será sempre assim confusa a vida
Ou simples, complicada pela gente?
Às vezes duvido que há uma saída

É incerto que não sei o que sinto:
Se árvore ou apenas semente...
Há um refúgio nesse labirinto.

As cotas e a ampla concorrência na UFV

Em agosto de 2012 foi sancionada a Lei 12.711, conhecida popularmente como Lei das Cotas. A partir de então, todas as universidades federai...